O BESOURO E A FLOR!

“Quando você achar que está tudo errado, dê uma olhada na natureza, especialmente no besouro, incrível, quando menos se espera, ele abre a carcaça e voa...”  (Valdir Venturi). De flor em flor, como de estrela para estrela, alimenta-se do néctar e como a alma traz a luz. 

Numa linda manhã de inverno num sábado ensolarado, após uma caminhada de 30 minutos, depois de anos que não fazia nada para liberar as energias acumuladas do corpo exausto do trabalho e das preocupações do dia a dia atribulado pelas diversas atividades que me proponho a realizar, sendo apenas um, querendo fazer diversas coisas simultaneamente, e o corpo reagindo, cansado, clamando por relaxamento e descanso. 

“Sobre a terra adormecida e mergulhada em silêncio e pausa, prevalecem os murmúrios
harmoniosos das flores que se sabem belas.” (Pe. Fábio de Melo)

Então, parei por alguns minutos, sentado numa cadeira de palhinha sintética, daquelas que podem ficar ao sol e chuva sem depreciar facilmente. Apreciando a beleza do jardim em minha volta, enquanto a minha querida neta Julie brincava com uma amiguinha de condomínio. Eu estava ali observando as formigas, as árvores e arbustos que se movimentavam ao sabor do vento, viçosos pela água abundante das chuvas de abril, via também as pessoas transitando, os carros no estacionamento, escutava o roncar do helicóptero que passava sobre a área a comunicar o espetáculo do circo que estava na cidade. 

“Os pensamentos são como as flores, aquelas que apanhamos de manhã mantêm-se muito mais tempo viçosas. ” (André Gide)

Num ambiente de paz e tranquilidade que há dias não experimentava. Parece até uma contradição porque nestes dias estava estressado e confuso com as demandas que se acumulavam e hoje tudo parece resolvido num passe de mágica. 

Que bela a natureza, e a nossa capacidade de resiliência diante das adversidades. Somos realmente mais fortes do que podemos imaginar. Assim, eu contemplava o besouro que voava de flor em flor, recolhia o néctar e seguia, naquele ramalhete de trepadeira que nem sei dizer o nome, mas o besouro saciava a sua fome, talvez também a sede, e alimentava a vida. Num espetáculo de dança voadora, que só entende quem aprecia com atenção cada pequeno movimento daquele inseto que parece pensar no que está fazendo, com tanta precisão e louvor ao ponto de inspirar-me a descrever o seu perfeito movimento de vida. De flor em flor, como de estrela para estrela, alimentando-se do néctar e como a alma trazendo a luz para o meu dia.

“As flores desabrocham para continuar a viver, pois reter é perecer. ” (Khalil Gibran)

Hoje aprendo com o besouro que a vida deve ser vivida em contínuo movimento, pulando, correndo, saltando, cantando ou voando de galho em galho, de flor em flor, apreciando o néctar ou comendo os morangos, porque afinal a vida é bela e cada flor representa uma nova esperança. Viva a vida! Viva o néctar! Viva o besouro e a flor! 

“Gosto das cores, das flores, das estrelas, do verde das árvores, gosto de observar. A beleza da vida se esconde por ali, e por mais uma infinidade de lugares, basta saber, e principalmente, basta querer enxergar. ”  (Autor desconhecido)

José Carlos Castro Sanches 
É químico, professor, escritor, cronista e poeta maranhense.

São Luís, 06 de abril de 2019.

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