DA JANELA DO MEU QUARTO!

É uma crônica reflexiva com um olhar romântico e crítico de poeta e cidadão brasileiro, num limiar entre a razão e a sensibilidade. Vejo distante, percebo o vento soprando do mar para a terra, o horizonte se confunde entre céu e mar e a minha mente divaga tentando encontrar uma resposta para o infinito.Boa leitura e reflexão!

Da janela do meu quarto vejo o sol nascer ardente, as pessoas se movimentarem, os primeiros carros transitarem ao amanhecer, a quadra azul, laranja, verde e amarelo, uma mulher carregando a sacola de alimentos, as crianças de férias desesperadas por algo para brincar, correndo em volta do prédio ao amanhecer e anoitecer, limitadas pelos pais e avós ocupados e estressados sem tempo para elas. Daqui também escrevo meus textos, poemas, crônicas e artigos, estudo e leio bons livros, além de contemplar a beleza do horizonte belo, o mar distante e as paisagens ao redor ao lado do meu bem, meus filhos e netos. Através da janela o sol, a lua e as estrelas podem me ver beijar e amar. Enquanto vejo o nascer e o pôr do sol e a lua transitar de leste a oeste segurando o neto no colo. A vida é bela!

“O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar. ” (Carlos Drummond de Andrade)

Vejo distante, percebo o vento soprando do mar para a terra, o horizonte se confunde entre céu e mar e a minha mente divaga tentando encontrar uma resposta para o infinito.
As plantas viçosas dos “Jardins” a balançarem pelo vento afoito que as provoca e faz dançar os galhos, folhas e flores na frenética harmonia da natureza. 
“Existem manhãs em que abrimos a janela, e temos a impressão de que o dia está nos esperando. ” (Charles Baudelaire)

Escutando o “ronco” do motor dos veículos, motos, ônibus, caminhões... um pouco distante me faz lembrar que tenho sentidos posso ouvir, ver, sentir o aroma das flores, o cheiro da comida do vizinho que parece melhor que a minha e até me faz pensar que está na hora do almoço preciso “PARAR” de escrever para alimentar o corpo. Como dizia meu querido e saudoso avó José Alípio Sanches: “Saco vazio não se põe em pé. ”

“Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer. ”  (Franz Kafka)

Resolvi continuar escrevendo um pouco mais para agradecer pelo apartamento 301 que DEUS me permitiu através da sua janela contemplar o mundo e alimentar as fantasias da vida reverenciando o sol enquanto revivia as memórias do “passado”  vivendo o “presente” de vitórias na expectativa de um “futuro” de possibilidades que a Deus pertence. 
“Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.” (Pablo Picasso)

Surpreendo-me apreciando a beleza ao redor do meu aconchego. As pessoas que permitem a sincronia da solidão da terra seca, do concreto, dos pavimentos, ruas e avenidas. E a graciosa plenitude de ser agraciado pelas eternas bênçãos que se aglomeram diante daqueles que determinados a construir um mundo melhor atuam superando limites, ultrapassando fronteiras e transpondo montanhas rumo aos seus objetivos e metas. Transformando a vida numa missão sublime com um olhar de gratidão através da janela do meu quarto, revezando às vezes com a varanda de onde vejo o nascer e o pôr do sol. Nascente e poente, opostos e simétricos alinhados na linha do horizonte a 180º como se tudo fosse combinado para este dia. Varanda, sala, cozinha e quartos feitos com zelo, amor e carinho para trazer o sossego e a paz para quem tem fé e com determinação realiza os seus sonhos no Lar Doce Lar.

Minha esposa, filhos, netos e eu estamos felizes por mais esta dádiva de Deus para as nossas vidas. Quem planta colhe!
“Quando de manhã abro a janela do meu quarto e sinto a vida em mim, sou grato a DEUS por mais uma página nova a preencher do meu Livro de Vida!...Que fique REPLETO de novos acertos, novas evoluções na caminhada de meu aprendizado! Que assim seja! ” (Maria Luz)

Compartilho momentos de solidão, desespero, tristeza, dor, lições aprendidas, exemplos e experiências de vida, também de paz, alegria e felicidade que tomam conta de mim e dos meus familiares quando juntos comemoramos as vitórias. Que não são apenas nossas porque tudo que temos é fruto do trabalho e dedicação de inúmeras pessoas que tornaram possíveis as nossas realizações. Impossível seria ao homem conquistar as batalhas não fossem os bravos guerreiros que se alinham aos seus projetos e viabilizam as conquistas. Cada dia estou mais certo desta assertiva.

“É melhor você se manter limpo e brilhante; você é a janela pela qual você deve ver o mundo. ” (George Bernard Shaw)

Da varanda do apartamento também vejo o quanto o povo maranhense é manipulado pelos políticos. Na convenção do partido X, que visualizo daqui a poucos metros, no estacionamento do SEBRAE e ruas adjacentes ao evento estão completamente ocupadas por veículos leves, motos, vans, ônibus, caminhões em todas as direções. Num eufórico movimento desordenado de anciãos, adultos, jovens e crianças que tornavam dinâmica e viva aquela convenção.  

Eu observava o povo atônito que se movimentava ferozmente para chegar ao local do evento, enquanto aqueles que já haviam chegado tocavam tambores, gritavam palavras de ordem, pulavam eufóricos. Os políticos nos palanques vociferavam as suas mentiras e promessas vazias para aquele povo desesperado em busca do nada. Gesticulavam afoitos de forma espontânea ou induzidos pelos manipuladores de plantão – pagos para fazer os oprimidos vibrarem sem animação.

Fiquei a me perguntar por que somos tão limitados na percepção crítica ao ponto de deixar que os políticos nos usem para se perpetuarem no poder e mantenham o foro privilegiado, visto que a maioria deles está intimamente envolvido em processos e sequer deveriam concorrer a novas eleições se a lei da ficha limpa fosse aplicada.

Um dia quem sabe verei o povo brasileiro através da minha janela com um olhar diferente. A minha expectativa é que os eleitores se revistam da realidade e deixem de cativar traidores mentirosos que usam da boa fé do povo sofrido do nosso país para levar vantagem tornando-os cada vez mais dependentes dos seus favores.

A janela que se abre para o horizonte quer ver o sol brilhar para todos: ricos, pobres, brancos e negros indiferente às suas convicções, credo, cor e gênero. A luz precisa irradiar brilho em todas as direções como o sol da minha janela abençoada. 

“Fico feliz quando abro minha janela da vida e vejo que mesmo com sol ou neblina, o dia acendeu para mim num sorriso, me dando um salve de boas-vindas! ” (Almany Falcão - Poeta do sol)

José Carlos Castro Sanches
É químico, professor, escritor, cronista e poeta maranhense.

São Luís, 05 de julho de 2018.
Revisado em 28.07.18 / 09.08.18
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NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches, com crédito aos autores e fontes citadas, e está licenciada com a licença JCS05.07.2018. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual amparado pela lei nº 9.610/98 que confere ao autor Direitos patrimoniais e morais da sua obra.
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