ESCREVENDO AS PÁGINAS DA VIDA!



“ Tenho vontade de escrever e necessidade ainda maior de desabafar tudo o que está preso em meu peito. O papel tem mais paciência do que as pessoas. ” (Anne Frank)

Este homem é uma enciclopédia viva! Assim fui recebido ao entrar numa sala de treinamento ministrado por um colega, iria dar as boas-vindas aos operadores de máquinas que recebiam instruções do especialista, numa indústria de cimento, naquela terça-feira chuvosa.

“O ego certamente é uma ilusão. A incerteza é a base da vida. ” (Deepak Chopra)

Era manhã, saí de casa para o trabalho, com a missão de antes, realizar algumas tarefas particulares: entregar documentos na sede da empresa; levar os alimentos para a cozinheira preparar a comida da semana e seguir para o destino final.

As ruas estavam congestionadas, motoristas apressados sem condição de avançar no trânsito lento, em ruas alagadas. Seguíamos com passos lentos rumo ao desconhecido, cada um ao seu modo. Não adiantava ter pressa o ritmo era definido pelo tempo e movimento dos veículos que se enfileiravam nas ruas e avenidas estreitas de São Luís.

O trajeto requeria paciência e perseverança diante das adversidades que se apresentavam pela chuva intensa que fluía sobre a ilha. Nada justificava a minha ansiedade diante da exiguidade do tempo, que se esvaia com as gotas d’agua que caiam nos telhados, sarjetas, ruas e avenidas, seguindo em direção aos bueiros entupidos de materiais lançados ao relento pelos “homens civilizados” da Jamaica Brasileira.

“Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde. ” (Friedrich Nietzsche)

Enquanto isso, como disse um colega. Eu estava recarregando as baterias com boas ideias para escrever sobre essa experiência. Lembrava-me que na noite anterior, logo após concluir a leitura do livro “A Curva do Vento” do autor maranhense Sanatiel Perreira, por volta da meia noite. Fui surpreendido com uma mensagem, enviada por um amigo leitor, que me fez refletir sobre algo que escrevi há alguns anos.

“Metade da minha vida está escrita em páginas de livros. ” (Aerosmith)

Gosto de enaltecer os amigos e pessoas que de alguma forma me fazem pensar “fora da caixa” sobre as circunstâncias da vida e, por inúmeras vezes investi o meu precioso tempo para descrever os aprendizados. Desta vez, após a publicação de uma crônica dedicada a um grande amigo, tive uma assombrosa decepção ao ser mal interpretado pelo leitor e aprendi que nem sempre o que fazemos com o propósito de valorizar o outro é entendido como positivo.

Ninguém sabe o que você sente a respeito do outro, neste mundo de falsidade, declarar uma amizade verdadeira, nem sempre soa bem aos ouvidos acostumados às críticas e ofensas pessoais. É até difícil elogiar alguém, porque o elogio fere e dói mais que a hostilidade.

“O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica. ” (Norman Vincent Peale)

A percepção de cada pessoa está associada às suas vivências e expectativas, também reflete os anseios, frustrações, antecedentes e visão limitada para novas possibilidades. O que para mim era considerado um ato sincero de reconhecimento e exaltação, para o outro representou uma grave ofensa, julgando-me equivocado na percepção da realidade.

“Mesmo diante de todas as adversidades, devemos manter o equilíbrio, ter inteligência emocional e agradecer sempre pelo aprendizado. ” (Sérgio Lumas)

Cada dia nos deparamos com situações novas, que nos fazem refletir sobre a forma de interagirmos com o outro, como somos percebidos, apesar das boas intenções. Cada cabeça é uma sentença. O pensamento é livre e as interpretações seguem a lógica de quem pensa: igual ou diferente de nós.

O desafio é aceitar opiniões contrárias e perceber que a verdade nem sempre está do nosso lado. Uma excelente oportunidade para o pleno exercício da humildade é reconhecer quando erramos. Afinal, errar é uma ação ou reação não intencional. E quem não erra?

“Nunca reaja emocionalmente às críticas. Analise a si mesmo para determinar se elas são justificadas. Se forem, corrija-se. Caso contrário, continue vivendo normalmente. ” (Norman Vincent Peale)

Sempre haverá oportunidade para reavaliar as atitudes e comportamentos seja ao falar, ouvir, ler ou escrever. Devemos estar abertos às críticas e aceitar a possibilidade de mudança. Aquilo que parece ofensivo pode ser a realidade, o que julgamos ser o certo pode estar errado. A opinião contrária não pode ser julgada como “algo pessoal”. Na maioria das vezes é necessária para tirar-nos da zona de conforto, levando-nos à reflexão e à mudança.

“A vida é basicamente uma montanha russa. Tem seus altos e baixos, e o mais importante: você tem que fazer o ingresso valer a pena. ” (Autor desconhecido)

A enciclopédia viva precisa ser resiliente, estar aberta às opiniões contrárias e capaz de receber censuras, sem se deixar abater, afinal de que adianta ser o dono da verdade, se a verdade nem sempre tem dono e pode trazer a infelicidade. De que vale uma vida de confronto, se é possível viver em paz.

“É melhor ser feliz do que ter razão. ” (Ferreira Gullar)

Quem decide o caminho a seguir precisa estar preparado para o combate, não menosprezará o adversário, deve respeitá-lo, mesmo quando julgar que a estratégia do oponente está equivocada. Assim, teremos a oportunidade de dar um passo para trás e avançarmos conscientes para vencermos as próximas batalhas.

Passo os dias colecionando páginas buscando manter viva a enciclopédia da vida, que a todo momento se atualiza com novas experiências, exemplos e lições de vida. Minha vida é a história que escrevo todos os dias. Em tudo, daí graças ao Senhor!

“Diariamente um pôr do Sol lhe é oferecido para refletir e virar as páginas de sua vida. Use-o como um ritual. Revise-se, repasse suas decisões e pensamentos... e siga em frente! ” (Baudelaire Guinevere)


José Carlos Castro Sanches

São Luís, 03 de março de 2020.

É químico, professor, escritor, cronista e poeta maranhense.


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NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS03.05.2020. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual amparado pela lei nº 9.610/98 que confere ao autor Direitos patrimoniais e morais da sua obra.

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