PEQUENO DICIONÁRIO DA PANDEMIA


1.VÍRUS.

Palavra mais usada no Brasil  de uns 3 meses para cá. Nome que se dá a um organismo microscópico que muitos cientistas sequer classificam como um ser  vivo, que não pensa,  não possui células em sua composição e, para  sobreviver,  precisa de um hospedeiro. 
Acontece que, mesmo assim, o tal vírus consegue apavorar  milhões de seres de uma espécie muito maior denominada humanidade, que se diz inteligente, se arroga à imagem e semelhança de Deus,  e se anuncia como rainha do planeta Terra. 

Algo desponta, porém, desastrosamente exato nesse batalhão  de desinformação dos sábios dessa humanidade, atingida pelo vírus e colocada para correr de volta a suas casas: ninguém verdadeiramente sabe o que este é ou não é. Na declaração de guerra entre o desprezível Quase-Nada  da natureza contra Aquele-Que-Quer-Ser-Tudo , o vírus tem levado vantagem, fazendo com que a tão propagada infalibilidade humana se recolha à sua insignificância. 

Donde se conclui que   O- que-quer-ser-tudo e tinha tudo para ser muito maior se mais humilde fosse (como tentou ensinar J. Cristo)    não passa de o - Verdadeiro-quase-nada. 

2.LIVES

E, de repente, não mais que de repente, como diria o poeta, essa palavra do idioma inglês é falada de boca em boca,  e repetida a todo instante nas redes sociais, mais do que um bom palavrão  na intimidade dos lares. E tudo porque,  de repente, se descobriu que só há duas coisas para indivíduos ociosos fazerem  em casa, numa quarentena. A primeira é ver lives. A segunda é fazer lives. 

Daí que só se vê e fala em live  que já se tornou a grande mania brasileira. Houve gente que já viu tanto live de dupla sertaneja que quando acorda não diz Bom Dia , mas Bom e Dia, Marcos e Bellutti, Bruno e Marrone, Café com Leite e por aí vai , o que dá no mesmo, porque a ordem dos fatores não altera o péssimo produto. E como se não bastasse cantor há lives de político, de filósofo, de cientista, de professor, de atleta, profeta, adivinho, astrólogo,  índio etc.

Não vai demorar muito para anunciarem lives de presos das penitenciárias, desta vez com uma utilidade: com a vasta experiência que eles têm darão dicas preciosas de  como ficar encarcerado numa boa. 

3.O.M.S

Pouca gente sabia do que se tratava essa sigla antes da Pandemia. Houve quem desconfiasse de mais um partido político, mas logo foi informado que  OMS significa Organização Mundial de Saúde, que tem sua sede em Genebra e que, aparentemente, seus diretores deveriam estar aptos a  orientar e proteger a saúde global. 

O que se constatou, porém, na prática é que ela serve para um sujeito chamado Tedros Adhanon, com cara de técnico de futebol de time de terceira divisão,  ir todo dia para a frente do seu aparelho de tevê para repetir, diante da ameaça do Covid 19 ,  o que nossos tetravós já diziam, e faziam,  nos mais remotíssimos tempos: fica em casa, fica em casa, fica em casa, fica em casa. 

 Demonstrando assim que todo avanço tecnológico engendrado pelo cérebro humano, na virada do século em prol da humanidade, serviu para muita coisa, mas ainda falta muito – e bote muito nisso! -  para conseguir proteger adequadamente a saúde universal dos indivíduos , sem que seja às custas do pânico e do espectro apavorante  da miséria social. 

(*) J. Ewerton Neto, Engenheiro, Escritor 
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