São Luís MA, lockdown para "inglês ver"

 
No último domingo (16) acabou o período de 13 dias de lockdown na cidade de São Luís e outros três munícipios vizinhos. Na sexta-feira o governo do estado soltou uma nota oficial, onde estava decretando o retorno a quarentena pelos moldes anteriores ao lockdown a partir da segunda-feira. Veículos de comunicação de alta circulação no país, focaram suas lentes para a cidade durante todo o período do fechamento, a ideia era verificar como ia se dar o primeiro lockdown decretado numa capital do Brasil em tempos da pandemia de coronavírus. 

Nos primeiros três dias, verificou-se uma redução no fluxo de pessoas em coletivos de passageiros em torno de 85%, nos bairros centrais da capital ficou visível a redução na quantidade de pessoas em trânsito, mas na periferia verificou-se que em feiras, mercados e lojas o fluxo continuava o mesmo. E durante todo o período do lockdown a média de pessoas transitando nas periferias da capital sempre foi a mesma.

O intuito do lockdown em São Luís, desde quando decretado via justiça, era reduzir consideravelmente a movimentação de pessoas, visando assim aumentar o índice de isolamento social para algo em torno de 70%, índice que autoridades médicas julgam ser o necessário para que aconteça de fato a redução no aumento de novos casos de pacientes. Entretanto, o objetivo principal ficou muito aquém do desejado. Embora esteja sendo claro que o lockdown pouca eficácia teve em São Luís, o governador Flávio Dino resolveu desde então, evoluir no relaxamento e já travar uma data para o retorno do comércio da capital. Oras é bem verdade que algo sem nexo se deu na lógica do lockdown, como assim, se não surtiu o efeito aguardado, como então o governador avança ao ponto de liberar a reabertura do comércio e também já prevendo o retorno das aulas? 

É fato que a experiência do lockdown pouco ou nada mudou na realidade da cidade frente ao coronavírus. Sendo notória a saia justa a qual a autoridade maior do estado se viu enquadrada, pois verifica-se que tanto a quarentena, como o lockdown, de forma alguma reduziram a propagação do vírus na capital, levando nesse momento a transportá-lo com velocidade para as cidades do interior do estado. Como esgotadas as duas narrativas só sobrou ao mandatário do Maranhão, reabrir aquilo que nunca devia ter fechado, as atividades do comércio de São Luís, a maior fonte de renda dos ludovicenses.

(*) Natanael Castro, o editor.
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