(Coluna) Anacronismo Crônico: dinheiro do além

Ora vejam só... fui agraciado pela sorte e a fortuna, achei R$ 2,00 ontem quando ia pra casa.O achado desta grande soma de dinheiro, me lembrou de uma história passada ainda nos meus tempos no ‘exílio’ quando eu morava em uma pequena cidade do interior do estado.

O quintal da minha casa lá era grande e quase totalmente tomado por um vasto bananal. Certa tarde, lá por voltas das cinco ou seis horas, eu resolvi apanhar alguns cachos de bananas, vesti uma bermuda, peguei um facão e fui pro quintal a procura de algum cacho maduro pra cortar. Andei por alguns minutos de cara pra cima procurando e nada, aí de repente abaixo a cabeça e avisto no chão uma nota de R$ 2,00. Abaixei e peguei a nota, na hora supus que algum dos filhos dos meus vizinhos que viviam pelo meu quintal caçando pipiras azuis, a tivessem perdido numa dessas andanças por lá. 

Coloquei a nota no bolso e segui em frente na procura de bananas. Ando alguns passos, paro um pouco pra olhar em volta e quando abaixo a cabeça, algo no chão me chama a atenção, era outra nota de R$ 2,00. Dessa vez fiquei desconfiado, achar uma nota de R$2,00 no meio de um bananal era até certo ponto normal, mas daí a achar duas? Olhei em volta cuidadosamente procurando algum movimento suspeito que denunciasse se estava lá sozinho ou não, mas não vi nada, tornei colocar a nota no bolso e segui a diante. Mas confesso que a essa altura eu já andava com um olho nas bananas e outro no chão. Foi aí que quase embaixo dos meus pés vi algo que fez meus pêlos arrepiarem, lá estava, mais uma nota de R$ 2,00.

Dessa vez eu tinha certeza de que alguma coisa não estava certo. Parei, olhei ao redor e disse em voz alta que se alguém estivesse de brincadeira comigo ia se dar mal e ainda perderia o dinheiro, pois eu não ia devolver. Mas novamente só um silêncio, tão espesso que quase se podia tocar, me envolvia ali naquele bananal. Já começava a escurecer, a noite começava a cair, então subitamente comecei a ficar meio apreensivo (pra não dizer com medo) ora bolas, era muito estranho achar dinheiro assim, vai lá saber quem era que estava “me dando” esse Dinheiro??? Assim por assim, achei melhor dar o fora daquele bananal o mais depressa que pude, tomei o caminho de volta, entrei em casa, tranquei a porta dos fundo e fui para o meu quarto contar o dinheiro, meti mão no bolso e entendi tudo. Não deu pra controlar o ataque de riso diante da minha solitária pagação de mico.
Era meu bolso que estava furado.

(*) Jaime J Júnior, é Designer Gráfico, Escritor.
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