MUSA (Movimento Universitário de Som e Arte), talentosos músicos maranhenses que marcaram época no inicio dos anos 70

No final dos anos 60 e inicio dos 70, um grupo de jovens músicos maranhenses agitaram os palcos e bares na cena musical de São Luís. O Grupo Musa (Movimento Universitário de Som e Arte) era formado por Ronaldo Mota Mendes, Acylino José dos Santos Neto, Luis Augusto de Oliveira Mochel, Luis Alfredo Lopes Soares, José Augusto Ramos e Silva. Em 1968, com composição própria e cantando em dupla, João Augusto e Acylino José participaram do primeiro Festival Estudantil do Maranhão promovido pela Secretaria Estadual de Educação, com a composição MAS O QUE É QUE EU DIGO AGORA.
Em 1970 iniciaram o curso de Engenharia Civil na Escola de Engenharia do Maranhão,  quando conheceram o amigo José Oscar Frazão Frota, com quem estudavam juntos e acabaram como compositores e intérpretes do I FESTIVAL DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA NO MARANHÃO. Este festival foi realizado em setembro de 1971 pela Coordenadoria de Turismo e Cultura Popular do município de São Luís, que recebeu 130 inscrições e selecionou 15 músicas para a apresentação pública. O Festival conseguiu gravar um disco no qual consta a música COMO É QUE VAI? de parceria dos três. É desse festival também a canção "Louvação a São Luís", de Bandeira Tribuzzi, que se tornou um hino de São Luís. Foi também nesse festival que se encontraram com os compositores, Ronaldo Mota Mendes (cantando "Sem compromisso") e Luiz Augusto de Oliveira Mochel (cantando "Boqueirão"), ambos colegas da mesma turma de Engenharia, enquanto Luis Alfredo Lopes Soares (mais um colega de turma que se juntaria ao Grupo) assistia as apresentações das músicas nas arquibancadas do Ginásio Costa Rodrigues.

            Glória Guimarães Correa, cantando conosco Como é que vai? no I Festival (1971).

De 1971 a 1974, principalmente os compositores João Augusto, Acylino José, José Oscar, Ronaldo Mota e Luis Alfredo, se reuniam diariamente a noite para estudar (depois do namoro), primeiro na casa de José Oscar e depois no PRÉ (sala de aulas no prédio do Sr. Oscar). Freqüentemente, quando estavam esgotados de tanto estudar, saiam no Corcel branco de capô preto (pois todo o instrumental já vivia na mala do carro) de José Oscar, para os bares da praia do Olho D´Água para cantarem e comporem as músicas do Grupo MUSA. No bar juntavam os trocados de cada um, cantavam e compunham, regados a cerveja e pescada amarela frita com farofa.

As canções anteriormente feitas pela dupla João Augusto e Acylino José, depois acrescidos de José Oscar, também foram, juntas com as composições de Ronaldo Mota, e acrescidas as apresentações do Grupo MUSA.

Em 1972 houve um festival de música no Colégio Dom Bosco, onde o Grupo MUSA participou em parceria com um grupo de alunas do colégio e venceu o festival com a música CIUMENTA de João Augusto, Acylino José, José Oscar e Ronaldo Mota.

Grupo MUSA participou de vários eventos culturais, como da 1ª FEIRA DA MANDIOCA, patrocinada pelo Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Ação Comunitária, da Prefeitura de São Luís. A TRILHA SONORA VERDE DA MANDIOCA MARROM foi composta por Ronaldo Mota, Acylino José, João Augusto, Giordano Mochel (participação especial) e José Oscar, com coreografia de Reinaldo Faray (Academia Maranhense de Ballet) e direção geral de Leda Nascimento. A apresentação ocorreu no auditório da Escola de Agronomia. Outro evento cultural da Secretaria foi o lançamento da FESTA DA JUÇARA no Maracanã. O tema da festa, denominado JUÇARA-Ê foi composto por Acylino José, João Augusto, José Oscar, Luis Alfredo e Ronaldo Mota.  Naquela época a secretaria era a engª Rosa Mochel, professora da Escola de Engenharia do Maranhão, que se tornou madrinha do Grupo (São Luís, 1973).

Talvez o maior desafio do Grupo tenha sido o pedido da profª Rosa Mochel para que elaborássemos o texto da peça SÃO LUÍS - UMA VIAGEM DE VOLTA ÀS ORIGENS, sobre a fundação de São Luís, que foi encenada no Teatro Artur Azevedo, na semana dos 361 anos de fundação da cidade. O texto da peça foi escrito por Acylino José, João Augusto e Ronaldo Mota. A direção do espetáculo ficou a cargo de Reinaldo Faray, que contou com o corpo de baile, atores e atrizes de sua companhia. O patrocínio foi do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal, cujo prefeito era o engº Haroldo Tavares, professor e primeiro diretor da Escola de Engenharia do Maranhão (São Luís, 1973).

Corpo de baile tendo Reinaldo Faray como grande condutor (1974)

Aquela era uma época muito propícia às apresentações do Grupo MUSA, pois era um dos poucos atuantes na cultura musical local. O MUSA só cantava músicas dos seus compositores e misturava instrumentos eletrônicos e regionais. A influência da Bossa Nova, da MPB, da época dos Festivais e da cultura regional eram uma constante. Fizemos vários shows memoráveis e frenéticos no Teatro Artur Azevedo e em outros palcos. Com direção de Reinaldo Faray e participação do seu grupo de ballet, dividimos o palco do Teatro no show SONS E FORMAS, que foi inclusive apresentado em Belém na época da Festa do Círio de Nazaré (Belém, 1973).

A fase dos shows e a própria existência do MUSA, culmina com o show COISAS NOSSAS produzido pelo Grupo e apresentado além do Teatro Artur Azevedo, no Clube do Congresso em Brasília, na programação da FESTA DOS ESTADOS (Brasília, 1974). Participaram do show Acylino José, João Augusto, José Oscar, Luis Alfredo, Luiz Mochel e Ronaldo Mota. O show tinha como enredo a cultura maranhense, indo do Bumba-Meu-Boi ao Tambor de Mina. Afinal, naquela época éramos o único movimento de pesquisa e resgate da Música Popular Maranhense.

Na viagem de Estágio Supervisionado (1974) da turma de 1970 de Engenharia Civil, os formando, incluindo o Grupo MUSA, levaram todos os instrumentos e tocavam nos bares por onde a turma passava. Em Recife, no Restaurante Jangadeiro em Boa Viagem, a noitada foi animada. Lá pelas tantas um cara se apresentou como um dos diretores da Globo Nordeste, pagou toda a nossa conta e nos deu um cartão para procurarmos o pessoal do Fantástico no Rio. Lá chegando fomos para a Casa do estudante na Lapa, revendo os parentes e curtindo a boemia da cidade, ninguém foi a Globo. Esse lado despretensioso de fazer um trabalho quase só para seu deleite, caracterizou o MUSA, tanto que são poucos os registros que foram guardados dessa época. Com a conclusão do curso em dezembro de 1974, o Grupo foi desfeito, indo Luis Alfredo e Acylino José trabalhar na CAESB em Brasília, José Oscar trabalhar na Serveng Civilsan em Brasília, João Augusto fazer o mestrado no Instituto de Energia Atômica de São Paulo e Ronaldo Mota foi fazer mestrado no Rio. Dos componentes do MUSA somente Ronaldo Mota se dedicou totalmente a música e ao teatro. Autor do clássico "Boi de Catirina", ainda hoje Ronaldo Mota vive no Rio. Luis Alfredo brinca que um dia vamos vê-lo no Fantástico, mas ele já trabalhou até em novelas da Globo. Acylino José mora em Brasília,  enquanto João Augusto, José Oscar, Luis Alfredo e Luiz Mochel, acabaram voltando pra São Luís.

Abaixo dois registros bem significativos, o primeiro vídeo do reencontro do Grupo Musa no ano de 1997 e o segundo MP3 com a música "Como é Que Vai?" que participou do I Festival de Música Popular Brasileira do Maranhão.

 

 Fonte: Site do Google Grupo Musa, Coautoria Natanael Castro (Editor)
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