Porto do Itaqui, mistérios e misticismo na construção de um dos simbolos do desenvolvimento do MA


O Porto do Itaqui em São Luís, é reconhecidamente um dos portos de maior importância para a movimentação de carga do país. Conhecido também como um dos mais fundos do mundo, o Porto atualmente vem ampliando sua capacidade e hoje figura como peça imprescindível no planejamento de crescimento do Estado nos próximos anos. 

O que talvez as novas gerações não saibam, é que o Porto do Itaqui foi palco também de acontecimentos misteriosos no período de sua construção, que se deu entre os anos de 1966 a 1972. O Engenheiro Civil, pintor e escritor Bento Moreira Lima Neto em seu livro Histórias do Porto do Itaqui (2007), cita em um dos capítulos do seu livro um pouco desses acontecimentos.



No inicio do século, por volta do ano de 1918 uma tentativa havia sido feita de construir um Porto na região, a época a construção foi deixada a cargo da companhia inglesa C.H Walker & Co. Limited, porém a tentativa não obteve êxito e foi extinta. Por volta de 1939 o Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis realizou estudos no local que deram aval para a construção de fato de um Porto. Algo que teve inicio no Governo de José Sarney em 1966. 


Segundo cita Bento Moreira Lima Neto em seu livro, as primeiras tentativas de verificar a fundura do porto feita por escafrandistas advindos de fora, levou um deles a loucura e ao desaparecimento de outros. Segundo relatos no retorno dos mergulhos os profissionais voltavam falando de coisas que haviam visto no fundo do local, falavam de uma cidade marinha com prédios e palácios e pessoas convivendo normalmente no fundo do mar. Juntamente com as informações alguns acidentes teriam acontecido no inicio das obras sem nenhum motivo aparente. 

Antes de começar seu trabalho de manhã cedo, vestia uma roupa negra de mergulhador e se dirigia para a beira do cais com uma pequena sacola. Em  determinado ponto, em frente ao armazém, parava para se sentar no chão, baixava a cabeça e fazia uma oração, sempre sozinho, em seguida, abria a sacola de onde retrava alguns colares coloridos confeccionados com dentes de peixes e animais, ossos ou qualquer coisa assim, que ele repassando na ponta dos dedos, devagar, e, sem parar de rezar, colocando em volta o pescoço em um ritual místico e intimo [...] (p. 182) [...] Aparentado a calma de sempre, colocou a máscara que se ligava ao tubo de oxigênio em terra, por uma mangueira fina e negra, e fixou a corda d segurança na cintura, que também serva para se comunicar com o ajudante de terra e onde ficavam amarrados os pesos de chumbos que permitia afundar mas rápido. Caminhou para o mar, serenamente, como fazia todos os dias e logo desapareceu em suas águas escuras e sem ondas [...] (p. 182). 

Conforme Moreira Neto, o líder religioso Jorge de Itacy, ou como era mais conhecido, Jorge da Fé em Deus e Sebastião do Coroado, pais de santo bastante respeitados em São Luís foram convidados pelas autoridades para pedir permissão, através de obrigações, para a Princesa Ina, ou Iná, filha do Rei Sebastião, encantada no fundo da baía de São Marcos, para que ela pudesse conceder autorização à continuidade das obras do porto. Esta encantada, segundo descreve este autor, ficou revoltada pela perturbação em seu palácio com as obras da construção do Porto do Itaqui, ocorrendo com isto vários acidentes e mortes. 

Um mistério realmente difícil de explicar a não ser pelos babalorixás que não perderam a oportunidade de acusar a Princesa Iná pelo desaparecimento do jovem mergulhador, místico e dedicado ao trabalho [...] (p. 183).

Alguns outros profissionais que trabalharam na construção do Porto do Itaqui, afirmam que dali pra frente todos os anos uma grande festa era realizada por pais de santo de São Luís, como forma de agradecer a permissão dada pelos encantados moradores do fundo do mar do Porto do Itaqui.

Da redação.

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