03 personalidades maranhenses sepultadas no Cemitério do Gavião

Somente após a Proclamação da República com a obrigatoriedade da secularização dos cemitérios é que a administração pública assumiu em definitivo o Cemitério do Gavião (1855), oficialmente Cemitério de São Pantaleão. Pode-se considerar o Cemitério de São Pantaleão como um exemplo de “Museu a céu aberto”. Lá encontramos a Capela São José; uma série de esculturas em mármore de Carrara decorrentes dos estilos Neoclássico, Realismo, Art Nouveau, e Art Déco. O turista atento deve visitá-lo para descobrir o quanto a arte funerária deste local nos ajuda a compreender nossa própria existência de vida.

O cemitério mais antigo de São Luís possui grandes personalidades do estado sepultadas em seu interior. Separamos três nomes para homenagear nesse Dia de Finados.

ALUÍSIO DE AZEVEDO

Aluísio Azevedo (Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo), caricaturista, jornalista, romancista e diplomata, nasceu em São Luís, MA, em 14 de abril de 1857, e faleceu em Buenos Aires, Argentina, em 21 de janeiro de 1913.

Era filho do vice-cônsul português David Gonçalves de Azevedo e de D. Emília Amália Pinto de Magalhães e irmão mais moço do comediógrafo Artur Azevedo. Sua mãe havia casado, aos 17 anos, com um comerciante português. O temperamento brutal do marido determinou o fim do casamento. Emília refugiou-se em casa de amigos, até conhecer o vice-cônsul de Portugal, o jovem viúvo David. Os dois passaram a viver juntos, sem contraírem segundas núpcias, o que à época foi considerado um escândalo na sociedade maranhense.

Da infância à adolescência, Aluísio estudou em São Luís e trabalhou como caixeiro e guarda-livros. Desde cedo revelou grande interesse pelo desenho e pela pintura, o que certamente o auxiliou na aquisição da técnica que empregará mais tarde ao caracterizar os personagens de seus romances. Em 1876, embarcou para o Rio de Janeiro, onde já se encontrava o irmão mais velho, Artur. Matriculou-se na Imperial Academia de Belas Artes, hoje Escola Nacional de Belas Artes. Para manter-se fazia caricaturas para os jornais da época, como O FígaroO MequetrefeZig-Zag e A Semana Ilustrada. A partir desses “bonecos”, que conservava sobre a mesa de trabalho, escrevia cenas de romances.

A morte do pai, em 1878, obrigou-o a voltar a São Luís, para tomar conta da família. Ali começou a carreira de escritor, com a publicação, em 1879, do romance Uma lágrima de mulher, típico dramalhão romântico. Ajuda a lançar e colabora com o jornal anticlerical O Pensador, que defendia a abolição da escravatura, enquanto os padres mostravam-se contrários a ela. Em 1881, Aluísio lança O mulato, romance que causou escândalo entre a sociedade maranhense pela crua linguagem naturalista e pelo assunto tratado: o preconceito racial. O romance teve grande sucesso, foi bem recebido na Corte como exemplo de Naturalismo, e Aluísio pôde retornar para o Rio de Janeiro, embarcando em 7 de setembro de 1881, decidido a ganhar a vida como escritor.

Quase todos os jornais da época tinham folhetins, e foi num deles que Aluísio passou a publicar seus romances. A princípio, eram obras menores, escritas apenas para garantir a sua sobrevivência. Depois, surgiu nova preocupação no universo de Aluísio: a observação e análise dos agrupamentos humanos, a degradação das casas de pensão e sua exploração pelo imigrante, principalmente o português. Dessa preocupação resultariam duas de suas melhores obras: Casa de pensão (1884) e O cortiço (1890). De 1882 a 1895 escreveu sem interrupção romances, contos e crônicas, além de peças de teatro em colaboração com Artur de Azevedo e Emílio Rouède.

Em 1895 ingressou na diplomacia, momento em que praticamente cessa sua atividade literária. O primeiro posto foi em Vigo, na Espanha. Depois serviu no Japão, na Argentina, na Inglaterra e na Itália. Passara a viver em companhia de D. Pastora Luquez, de nacionalidade argentina, junto com os dois filhos, Pastor e Zulema, por ele adotados. Em 1910, foi nomeado cônsul de 1ª. classe, sendo removido para Assunção. Buenos Aires foi seu último posto. Ali faleceu, aos 56 anos. Foi enterrado naquela cidade. Seis anos depois, por uma iniciativa de Coelho Neto, a urna funerária de Aluísio Azevedo chegou a São Luís, onde o escritor foi sepultado.

NAURO MACHADO

Filho de Torquato Rodrigues Machado e Maria de Lourdes Diniz Machado, foi casado com a também escritora Arlete Nogueira da Cruz.

Poeta autodidata com vasto conhecimento em artes e filosofia. Comparado por alguns críticos a Fernando Pessoa, é original por ser poeta universal entre seus contemporâneos mais imediatos, como Ferreira GullarLago BurnettJosé Chagas e Bandeira Tribuzi. Se Gullar questiona a própria forma poética, Nauro Machado questiona a própria essência e destinação do ser humano, sem deixar de cultivar uma linguagem poética e uma técnica de versos exemplares. Sua obra apresenta traços de reflexão existencial angustiada e violenta que encontra poucas comparações na lírica de língua portuguesa.

Exerceu diversos cargos em órgão públicos entre eles DETRAN e EMATER e também na Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão. Nauro Machado sempre viveu em São Luís, ausentando-se apenas por breves períodos, sobretudo para o Rio de Janeiro para publicar boa parte de suas obras. No entanto, grande parte de sua vida Nauro dedicou à sua grande paixão, a poesia. Recebeu diversos prêmios, dentre eles Academia Brasileira de Letras e da União brasileira de Escritores; teve varias de suas obras traduzidas para o alemão, francês e inglês.

Em novembro de 2014 publicou um livro, com o título: Esôfago Terminal, cujas poesias remetem a dor e a superação da sua luta contra o câncer.

Em outubro de 2015 recebeu o título de "Doutor Honoris Causa", concedido pelo Reitor da Universidade Federal do Maranhão,

Em novembro de 2015 lançou seu último livro em vida: O baldio som de Deus. Na ocasião revelou ter cinco livros prontos, ainda não publicados.

Morreu aos 80 anos em decorrência de uma isquemia no trato digestivo e foi sepultado no cemitério do Gavião, no bairro Madre Deus, em São Luís.[2]


BENEDITO LEITE



Benedito Pereira Leite (RosárioMaranhão4 de outubro de 1857 —Hyeres6 de março de 1909) foi um políticomagistrado e jornalista brasileiro.[1]

Bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Recife, em 1882. Atuou como promotor público no município de Brejo, juiz municipal de Coroatá e Itapecuru, no interior maranhense, inspetor do Tesouro Público do Estado, e foi um dos diretores do jornal Debate.[1]

Era filiado ao Partido Conservador do Império e, com o advento da República, ingressou no Partido Nacional. [1]

Foi um dos membros da Junta governativa maranhense de 1891[1]

Elegeu-se deputado federal em 1892, reeleito em 1894. Foi eleito senador pelo Maranhão em 1896. Acumulou os mandatos federais com o mandato de deputado estadual. Consolidou-se como influente líder politico do Maranhão da República Velha, controlando a política do estado, no chamado coronelismo do período.[2]

Conseguiu costurar e consolidar a união dos partidos Católico, Constitucional e Nacional, surgindo daí o Partido Federalista, criado com o objetivo de tornar-se o guardião do federalismo, numa alusão crítica ao Partido Republicano, acusado pelos federalistas de tentar impor o centralismo.[1]

Fundou o jornal O Nacional e foi editor do Jornal Federalista.[1]

Foi governador do Maranhão, de 1 de março de 1906 a 25 de maio de 1908, quando se licenciou e viajou para a França para tratamento de saúde. Foi substituído pelo segundo vice-presidente Artur Quadros Colares Moreira. Faleceu em Hyeres, na França, no dia 6 de março de 1909.[3]

Durante seu governo, recebeu o então presidente da República Afonso Pena, que visitou o estado. O presidente embarcou com o governador e comitiva a bordo do vapor Barão de Grajaú, em viagem pelo rio Itapecuru, com destino a Caxias. Afonso Pena, constatando a dificuldade de navegação no rio, autorizou a construção da ferrovia São Luís-Teresina, defendida pelo governador.[4]

Em sua homenagem, foi batizada com seu nome a Ponte Metálica Benedito Leite, inaugurada em 1928, e pertencente à ferrovia São Luís-Teresina, sobre o Estreito dos Mosquitos, que separa a ilha de Upaon-Açu do continente. Ao seu lado, foi construída a ponte rodoviária Marcelino Machado, também político maranhense, que foi seu genro e deputado federal, e defendeu a construção da ponte ferroviária.

Em sua homenagem também foram batizadas: a cidade de Benedito Leite; a Maternidade Benedito Leite e a Escola Modelo Benedito Leite, em São Luís; a Praça Benedito Leite e a Biblioteca Benedito Leite, no centro de São Luís; dentre outros locais.


Da redação.

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