Salgado Maranhão, maranhense, poeta e compositor de sucessos da MPB

Salgado Maranhão é o nome artistico de José Salgado dos Santos, poeta maranhense natural do povoado de Cana Brava das Moças, zona rural de Caxias MA. Por volta dos 15 anos o poeta foi com os irmãos e a mãe morar em Teresina, lá estudou e deu os primeiros passos no mercado de trabalho, certa vez fora destacado para fazer uma entrevista com o poeta e compositor piauiense Torquato Neto para o Jornal O Dia. O contato foi primordial para que em 1973 fosse para o Rio de Janeiro fazer faculdade de jornalismo e iniciar a carreira de poeta e compositor de grandes sucessos da MPB.

Salgado Maranhão participou do movimento de poesia marginal que vigorou nos centros urbanos do país, nos anos 70. Seus primeiros poemas em livro foram publicados na antologia poética Ebulição da escrivatura: treze poetas impossíveis, editada pela Civilização Brasileira e organizada por Salgado, Antonio Carlos Miguel e Sérgio Natureza. A publicação destaca-se por ter sido uma das obras de poesia marginal a ser publicada por uma grande editora e, diante da ótima qualidade, obteve reconhecimento junto à crítica e à mídia. Depois de ler seus poemas nesta antologia, Paulinho da Viola fica interessado em conhecê-lo e juntos formam uma parceria. Consagrou-se por seu trabalho junto à Música Popular Brasileira, tendo composições com Ivan Lins, Elton Medeiros, Zeca Baleiro, Moacir Cruz entre outros.

Em 1998, recebeu o Prêmio Ribeiro Couto da União Brasileira dos Escritores. Neste mesmo ano publicou Mural de ventos, que foi agraciado, em 1999, com o Prêmio Jabuti. Atualmente consegue aliar à atividade da escrita musical e poética, outra que é fonte de sentido e equilíbrio: mestre em shiatsu e também terapeuta corporal há mais de dez anos, Salgado Maranhão encontra no pensamento oriental a relativização dos valores europeus inerentes à escrita.


Do Raio

Nem o acre sabor das uvas
nos aplaca. Nem a chuva

nos olhos incendidos
devolve o que é vivido.

O magma que nos evapora
tange o rascunho das horas

sob um raio de suspense.
Nem o que é nosso nos pertence.

DESAMANHECER

Agora,
na cidade da tua ausência
outro dia
desamanhece. E súplice
um grito escorre na paisagem.
Todos os lugares
são feitos do teu antes.
Da janela,
a noite chega
com as mãos vazias. E
tudo ao fim se esvai
em volta
como um tecido de ventos.

Só meu coração insiste
em erigir teu nome...
para além do esquecimento.

Certo dia, Salgado recebeu telefonema do compositor Herman Torres chamando-o para ir correndo à sua casa. Queria letra para a melodia que fizera para reconquistar a mulher que o abandonara. Em menos de meia hora, os primeiros versos:

"Sem você a vida pode parecer um porto além de mim

Coração sangrando, caminhos de sol no fim..."

Os objetivos foram alcançados: mulher reconquistada e “Caminho de Sol”, na voz de Zizi, virando tema de novela.

Natanael Castro, editor.
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