O FATOR JOSIMAR DE MARANHÃOZINHO NO JOGO SUCESSÓRIO

 

 Faltando exatos treze meses para as eleições do ano que vem, em que os brasileiros terão a oportunidade de renovar os mandatos de presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais, o jogo sucessório no Estado do Maranhão parece caminhar sob direção incógnita em virtude de possíveis acontecimentos que poderão mudar totalmente o rumo do cenário ora desenhado.

Um desses possíveis acontecimentos é a possibilidade do atual governador, Flávio Dino (PSB) permanecer até o final do mandato e não concorrer a nenhum cargo eletivo. Essa possibilidade foi admitida pelo próprio governador em entrevista concedida ao jornalista Manoel Santos Neto, sendo posteriormente confirmada por assessores mais próximos. Durante a História recente do Maranhão- dos anos 1960 para cá – apenas os ex-governadores Pedro Neiva de Santana(1971-1975), Nunes Freire (1975-1979), Luíz Rocha (1983-1986) e José Reinaldo Tavares (2003-2006), permaneceram até o final de seus mandatos.

Concretizando-se essa possibilidade, perde musculatura a candidatura do atual vice-governador, Carlos Brandão, que apesar de ser um homem íntegro, sobre o qual não pesa qualquer tipo de acusação, sendo ainda um técnico competente, enfrentaria dificuldades para viabilizar de forma consistente a sua candidatura, pois sem está sentado na cadeira principal e sem apoio político, perderia fôlego logo no início da corrida.

Outro pretenso concorrente ao Palácio dos Leões é o senador Weverton Rocha (PDT), que achava que teria o apoio do governador. Chegou a agregar alguns nomes em torno de seu projeto, porém sem o apoio do Governo, vem perdendo alguns desses apoios, sem falar que um fato ocorrido na eleição do ano passado, foi por demais vergonhoso para o senador. Seu irmão, Wennder Rocha, foi barbaramente trucidado nas urnas ao concorrer a um mandato de vereador por São Luís, pelo PDT, mesmo possuindo uma estrutura de campanha gigantesca, vários apoios, inclusive do irmão, senador da República, obteve inexpressivos 629 votos (0,12% dos votos válidos). Só a título de comparação, este que escreve estas mal traçadas linhas, também concorreu ao cargo de vereador em Chapadinha, sem parentes importantes, sem militância e sem ser conhecido, obteve 155 votos (0,38% dos votos válidos), ou seja, em termos proporcionais, três vezes a votação do irmão do senador Weverton.

Correndo por fora e com incrível poder de agregar nomes importantes ao seu projeto, o deputado Josimar de Maranhãozinho, até agora é o único nome que possui força suficiente para cruzar até o final da linha de chegada. Maranhãozinho tem a seu favor o histórico de ter sido um excelente gestor na cidade que lhe empresta o nome pelo qual é conhecido – aliás, eu não creio que Josimar seja de Maranhãozinho, mas sim que Maranhãozinho seja de Josimar. Somente para efeitos de comparação, quando Josimar assumiu o comando do Municipio, este era um dos mais pobres do Maranhão, sendo um dos últimos no ranking de IDH. Quando Josimar deixou a gestão, Maranhãozinho havia dado um salto gigantesco, pois seu IDH já era de 0,550, o que o colocava na 156ª posição – um grande desenvolvimento, considerando que o Maranhão possui 217 municípios. Nesta posição, deixou para trás municípios mais antigos e mais privilegiados geograficamente, como: Altamira do Maranhão, Humberto de Campos e Parnarama.

Como bom estrategista, ao longo dos anos, Josimar construiu uma base de apoio muito forte, contando com prefeitos, vice-prefeitos, deputados federais e deputados estaduais sob a sua liderança, sem falar em lideranças de peso, que apesar de estarem sem mandato, tiveram votações significativas em eleições passadas. Hoje, já conta com o apoio de 53 prefeitos, o que equivale a 25% do total de gestores do Estado do Maranhão. Até 2022, com certeza esse número aumentará.

Pesa também a favor de Josimar, o fato de ser um deputado de identidade municipalista, tem uma história de luta pelo fortalecimento dos municípios, isso por si só já o torna um nome de preferência dos líderes municipais. Seu desempenho na Câmara dos deputados tem sido em favor dos municípios, sendo que muitas obras nas áreas da Saúde e da Infraestrutura já foram executadas, fruto de suas emendas.

Manifestam ainda a intenção em concorrer ao governo do Maranhão, o ex-prefeito de São Luís, Edvaldo Holanda Júnior, que está filiado ao PSD, e o atual prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bomfim (PSL). Mas esses,  não tem base eleitoral fora de seus respectivos municípios.

Por ora, apenas Josimar de Maranhãozinho poderá embaralhar o jogo sucessório e chegar são e salvo na reta final da corrida.

 

                                         (*) Hipólito Cruz, contabilista, pedagogo, teólogo, geógrafo, especialista no ensino de História e Geografia e está secretário-adjunto de Políticas para a Igualdade Racial no município de Chapadinha.

 

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